Economia

A força do empreendedorismo feminino no Vale do Mucuri e no Norte de Minas

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As mulheres estão à frente da maioria dos novos empreendimentos abertos no país

As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço nos negócios. Segundo uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 2019 pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), em parceria com o Sebrae, elas fazem parte do grupo de 24 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil. No dia em que se comemora o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino (19 de novembro), vale destacar a força e a garra de mulheres que assumiram o protagonismo de suas vidas

A comerciante Estela de Fátima Lima Almeida tomou gosto pelo empreendedorismo ainda jovem, quando fazia artesanato para vender na cidade mineira de Nanuque, no Vale do Mucuri. Hoje, ela está em Carlos Chagas, também no Vale do Mucuri. Ela faz parte do grupo que começou a empreender por necessidade. “Eu corro atrás porque preciso. Minha vida é uma luta diária, não posso me dar ao luxo de desistir. Ainda mais que, quando comecei, tinha dois filhos para criar” – explica.

A primeira aposta da empreendedora foi numa videolocadora há quase vinte anos. Quando o mercado anunciava o fim desse segmento, ela partiu para um estúdio de fotografia. Atualmente, Estela é dona da Utilidades do Lar e Utilar Fashion que também abriga o espaço para copiagem de fotos.

“O Sebrae sempre me deu muita assistência. Já participei do Empretec e de outros cursos. Até mesmo porque o nosso comércio é bem fraco, e a gente luta para mudar isso com campanhas pra chamar a atenção do povo. Sem contar que tem um fluxo muito grande de pessoas que vão embora da cidade e outras que compram nos municípios vizinhos. São desafios para os comerciantes de Carlos Chagas” – enfatiza

RECOMEÇO

Quando o negócio estava indo bem, Estela se divorciou e teve que dividir os bens conquistados ao longo dos anos. “Cheguei a ter duas lojas. Hoje, estou num ponto menor, mas está indo bem. Nossa cidade ficou fechada por quase dois meses por conta do Coronavírus. Quando houve a flexibilização do comércio, meus computadores pifaram e fiquei mais dois meses com a loja fechada, mas, ainda assim, conseguimos pagar as contas. Agora, com comércio aberto o dia inteiro, está melhor. Tenho muito a agradecer, porque muitos aqui não aguentaram e tiveram que fechar as portas.”

A expectativa de Estela para o próximo ano é continuar investindo em estratégias para ampliar o negócio. Ela acredita no potencial feminino na busca de soluções em momentos de crise. “A mulher é muito organizada, estuda e tem um senso mais aguçado pra conseguir as coisas. Por exemplo, sabemos que no momento não pode ter aglomeração, mas já estamos incentivando as pessoas para fazer o Natal virtual. Estou sempre tentando inovar e estou otimista para o próximo ano; mas, só o fato de termos sobrevivido em 2020, já é uma grande vitória” – afirmou

Segundo a analista do Sebrae Minas Renata Carvalho, estimular as mulheres a liderar empresas e montar seus próprios negócios é parte de um movimento que só cresce no país. “As mulheres são aplicadas ao buscarem qualificação para ter sucesso nos seus empreendimentos. O Sebrae apoia uma maior inserção feminina no mercado de trabalho e acredita no protagonismo feminino nos negócios” – disse.

DESAFIO X OPORTUNIDADE

Outro exemplo de mulher bem-sucedida vem da cidade de Montes Claros, no Norte de Minas. Maria Valdete Ribeiro Pereira, de 62 anos, é proprietária de três lojas na cidade, e conta que ter o próprio negócio era um sonho alimentado desde que era criança. “Sou de uma família pobre, e, aos 14 anos, já trabalhava em um bar. Sempre gostei de vender e atender bem as pessoas. Tinha em mente que um dia eu teria meu negócio. Então, não fiquei parada esperando as coisas acontecerem – fui à luta e realizei meu sonho.” Um presente dado pelo marido no aniversário de sete anos do casamento do casal: uma quantia em dinheiro para que Maria Valdete pudesse comprar um anel, posssibilitou o começo de seu negócio. “Não pensei duas vezes. Peguei o dinheiro e viajei para Petrópolis (RJ), onde pessoas costumavam comprar roupas para revender. Comprei 12 blusas de malha e iniciei um negócio em casa. E nunca mais parei. Trabalhei como sacoleira por cerca de três anos, até que consegui abrir minha primeira loja, bem pequena. Hoje só na ’Nossa Loja‘, no bairro JK, tenho quase dois mil itens em confecções, presentes, brinquedos e papelaria” – relata a empreendedora. Algum tempo depois de inaugurar a primeira loja, Valdete enxergou um potencial de vendas em Nova Esperança, maior distrito de Montes Claros, distante 23 quilômetros da área urbana. Ali, surgiu a segunda loja, a Confecções Alternativa. O terceiro empreendimento foi inaugurado pouco depois, surgindo assim a Quatro Estações, loja exclusivamente de confecções, localizada no centro da cidade. Lutadora e apaixonada pelo que faz, Valdete diz que nunca pensou em desistir dos seus sonhos, e sempre encarou os desafios como um estímulo. “Nunca tive medo e nem reclamei. Desde muito cedo trabalhei e enfrentei todas as dificuldades de cabeça erguida; viajei sozinha inúmeras vezes para fazer compras e fiz dos problemas oportunidades. Continuo trabalhando e só vou parar no dia em que Deus fechar meus olhos” – acrescenta. (Fonte: Sebrae/William de Jesus-  Assessoria de Imprensa Regional Jequitinhonha e Mucuri – Foto: Pinterest)  
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