Política

Correligionários são privilegiados na Saúde de T. Otôni

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Em sua edição de ontem, o DIÁRIO do MUCURI mostrou as folhas de pagamento de nove servidores municipais da área de Saúde de Teófilo Otôni em dissonância com os vencimentos dos demais trabalhadores do município.
Ao ouvir suas fontes, o jornal verificou que os privilegiados são, todos, correligionários do prefeito Daniel Sucupira, e ocupam os cargos mais ambicionados.

Segundo as fontes, a Secretaria Municipal de Saúde está sob quádruplo comando. Em primeiro lugar, aparece o secretário oficial, Edilânio Aparecido de Oliveira Santos, médico pneumologista, com salário de R$ 8.000,00.
Atuando em todo o nordeste mineiro, o secretário fica ausente do município, e terceiriza a gestão a Maflávia Aparecida Luiz Ferreira, ex-secretária de Saúde em Teófilo Otôni. Pretendendo ser prefeita de Itaobim, sua terra natal, ela foi ser secretária de Saúde daquela cidade do Vale do Jequitinhonha. Foi derrotada nas urnas em 2020. Aí, recebeu novamente guarida de Daniel Sucupira. Seu salário (R$7.303,38) é quase igual ao do secretário municipal
Segundo as fontes, a gestão também é terceirizada a Viviane Assis Pinho do Amaral, detentora do cargo de provimento efetivo de fonoaudióloga e ocupando o cargo de provimento em comissão de assessora técnica de nível superior III, percebendo salário de R$ 9.555,84, maior em R$ 1.555,84 ao do próprio secretário municipal. Destaque-se que o cargo em comissão que ela ocupa faz parte da estrutura administrativa organizacional da Secretaria Municipal de Planejamento, e não de Saúde. O referido cargo foi criado para suprir a necessidade de engenheiros e arquitetos no quadro de pessoal do município e, a princípio, para ser ocupado, privativamente, por esses profissionais, situação alterada pela Câmara Municipal em dezembro de 2016. Hoje, é ocupado anormalmente para atender a companheiros com salários avantajados.


Na equipe dos quatro comandantes da Saúde em Teófilo Otôni surge Joaniz Lopes de Oliveira, que atua como coordenador da atenção primária à Saúde, sendo detentor de um cargo efetivo de fiscal sanitário e ocupante do cargo de provimento em comissão de diretor de divisão, também percebendo vencimento maior que o do secretário: R$ 8.398,89.
Destaque especial é o fato de que, enquanto esses cidadãos possuem salários avantajados, o servidor efetivo e sem padrinhos amarga, desde o início deste governo municipal, a falta de reajustes salariais ou, ao menos, uma reposição inflacionária. Aponte-se, também, que os terceirizados secretários ganham mais que os profissionais médicos do município.

TEMPO INTEGRAL
O DIÁRIO do MUCURI verificou, também junto às suas fontes, a situação funcional do médico Fausto Goulart Caminhas, ocupante do cargo de provimento em comissão de diretor técnico do Hospital Municipal Dr. Raimundo Gobira. Ele percebe em seus vencimentos gratificação de 100% a título de tempo integral. Mas, ele pode ser continuamente encontrado dando plantões semanais de 12 horas diurnas diárias cada, nas terças-feiras e quartas-feiras, na Associação Hospitalar Santa Rosália.
Soma-se isso o caso da diretora administrativa do Hospital Municipal Raimundo Gobira, Adaílde Souza Mangabeira, que recebe por tempo integral a quantia de 6.236,88 mensalmente. Efetiva como auxiliar de serviços, foi presenteada pelo prefeito com um cargo de tamanha envergadura e com salário avantajado, mesmo não tendo curso superior na época da respectiva nomeação.
Outro caso que chama atenção é o de Priscila Ramos Pinto, ocupante de um cargo de provimento em comissão de assessora técnica de nível superior de nível I, naquele mesmo esquema de Viviane Assis Pinho do Amaral. Na realidade presta seus serviços como coordenadora de avaliação, controle e regulação da SMS.

TINA PT
Mas, caso emblemático para valer é o da ex-vereadora Vicentina Pereira Alves, a “Tina PT”. Comadre de “Dos Anjos”, ela foi agraciada, após a derrota nas urnas na tentativa de reeleição, com um cargo de assessora de Informática II, com lotação legal no CPD. Contudo, atua na Secretaria Municipal de Saúde, como “olheira do alcaide”, segundo informaram populares. Assim, ocupa um cargo sem ter qualquer formação conhecida na área de informática. Some-se, a isso, o cargo concedido à sua filha como farmacêutica do programa CAPS AD, “com 70% de gratificação, mas ocupando, na realidade, o cargo fictício de gerente farmacêutica do município”.
E o final é nada promissor para correção da situação. Segundo apurado, o órgão que poderia colocar ordem na bagunça, o Conselho Municipal de Saúde (órgão de controle externo), é presidido por uma servidora ocupante de cargo de provimento em comissão contemplada com 100% de gratificação e que, no conselho, ocupa uma cadeira destinada à sociedade civil.

(Fontes: Cidadãos de bem preocupados com a administração correta de Teófilo Otôni – Foto: Câmara Municipal de T. Otôni/Reprodução)

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