Economia

Dória faz povo pagar mais caro por saúde, a partir de amanhã

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Doentes, especialmente de câncer, sofrem aumento de preços dos remédios e insumos por decisão do governador de São Paulo

Com o decreto de Dória acabando com a isenção do ICMS em São Paulo, haverá aumento em todo o país de pelo menos 18% no preço final de medicamentos para câncer, diálise, Aids e diversas doenças.
E vale o mesmo para componentes cirúrgicos, próteses e implantes, entre muitos outros insumos médicos. O decisão de Doria sacrifica os doentes.

Em um momento em que as empresas tentam se recuperar dos impactos do Covid-19, decreto do governador João Dória, de São Paulo (65.156, 27/08/ 2020) põe um ponto final na isenção do ICMS para remédios, equipamentos médico-hospitalares e diversos itens de saúde, que possuíam o benefício. Com isso, itens de saúde vão encarecer 18% ou até mais. Doentes que fazem tratamentos para câncer, diálise, Aids e diversas outras doenças serão apenados. Também ficarão mais caros componentes cirúrgicos, próteses e implantes, entre muitos outros itens, afetando milhões de pessoas.

Os preços deverão subir em todo o país, pois São Paulo concentra a maioria dos laboratórios e das fábricas de componentes para a saúde. Tendência é haver fortes prejuízos para toda a cadeia produtiva da área da saúde, impactando, inclusive, a geração de empregos, dizem os especialistas.

“Lamentavelmente, tenta-se fazer um ajuste fiscal tirando da saúde, onde a falta de recursos já acontece há muito tempo. A saúde é dever do Estado e direito do cidadão. E encarecê-la é um grande erro de política pública” – afirma o superintendente da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos), Paulo Henrique Fraccaro.

“A pandemia, junto com o aumento do dólar, já foi um golpe brutal, e agora vem esse novo imposto para deixar a saúde mais cara” – reforça Felipe Leonard, presidente e CEO da S.I.N. Implant System, fabricante de componentes odontológicos e implantes dentários. “Haverá repasse no preço final, e quem sairá perdendo é a população. Além disso, as empresas paulistas perderão sua competitividade” – avalia.

“A retirada da isenção da área da saúde no Estado de São Paulo deve excluir as vendas públicas e as vendas para as Santas Casas, mas, mesmo assim, o aumento da carga tributária vai prejudicar toda a cadeia” – explica Patricia Braile, presidente da Braile Biomédica, fabricante de itens para cirurgia cardiovascular. “As indústrias, distribuidores, operadoras e hospitais serão afetados, mas os mais impactados serão, sem dúvida alguma, os doentes” – diz ela, ressaltando ainda que deverá haver retração na oferta.

As empresas paulistas do setor contavam com a continuidade do benefício fiscal, em virtude da crise atual, o que não aconteceu.

Especialistas dizem, ainda, que o decreto se torna ainda mais incompreensível, diante do contexto da pandemia do Covid-19. Para completar, o Brasil voltou a mergulhar em uma recessão, com o prognóstico de retomada lenta. Porta-vozes do setor acreditam, contudo, que o clamor público não tardará para que se reverta a situação. (Fonte: Key Press Comunicação – Foto: Net Piauí/Reprodução)

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