Editorial

EDITORIAL – Tributação de grandes fortunas

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Discutir a tributação de grandes fortunas é um tabu praticamente universal. Os mais diversos argumentos se levantam contra a intervenção no assunto, desde a afirmação de que a ação fiscal desestimularia a pessoa a acumular patrimônio, diminuindo assim sua vontade de trabalhar, até a conclusão de que os futuros herdeiros estariam sendo lesados, pois o patrimônio já teria dado contribuição ao fisco quando de sua aquisição.

Nenhuma das afirmativas encontra apoio no pensamento moderno, quando o mundo se expande e as diferenças de renda se acentuam, com uma minoria assustadora ficando com quase tudo do planeta e uma maioria não menos assustadora rastejando na miséria. Uma maioria que mora mal, sem urbanização, sem esgotamento sanitário, sem água, sem coleta de lixo. Uma maioria sem comida, sem remédios. Enfim, uma maioria sem sentido de vida, porque tem acesso a nada.

Alguns dirão: “Mas, quem tem muito é porque foi competente, inteligente e precavido!”

Pensar assim, é pensar rasteiro demais, é desconsiderar as condições em que a maioria foi colocada para desenvolver sua vida. E, especialmente, é não perceber que ninguém é culpado de ser menos inteligente.

Taxar as grandes fortunas, aquelas que ultrapassam os R$ 50 milhões, é mais que justo e oportuno. Mesmo porque elas são poucas, mas com muito. Assim, poucas pessoas serão atingidas e nem sofrerão impacto, pois têm demais. A riqueza nacional (e mundial) está nas mãos de limitadíssimo grupo de pessoas. (Foto: Reprodução)

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