Economia

Inflação com novo cálculo e preços coletados por robôs

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O IBGE divulgará, amanhã (07/02/20), a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com base na nova cesta de produtos e serviços, que foi atualizada para acompanhar mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira. É a primeira vez também que o indicador será divulgado com preços coletados por robôs virtuais em páginas na internet.

A cesta contém 56 novos produtos e serviços que ganharam relevância no consumo dos brasileiros nos últimos anos, como transportes por aplicativo e serviços de streaming. Entraram também no cálculo despesas relacionadas à vida saudável e estética, tratamento e higiene de animais domésticos e até o consumo de macarrão instantâneo. Outros itens, porém, perderam espaço ou foram excluídos do orçamento das famílias, como aparelhos de DVD, assinatura de jornais e máquinas fotográficas.

Os componentes da inflação têm como base os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que atualizou os hábitos de consumo, despesas e renda das famílias. Com 377 produtos e serviços, a nova estrutura do IPCA traz seis subitens a menos que no modelo anterior, que era baseado na POF 2008-2009 e estava em vigor desde 2012.

ROBÔS JÁ COLETAM PREÇOS PARA O INDICADOR

Além da nova cesta, a inflação de janeiro trará preços do transporte por aplicativo coletados por robôs, inovação que será ampliada para as passagens aéreas a partir do IPCA de fevereiro. A novidade automatiza o processo que era realizado manualmente por técnicos que acessavam os sites das companhias e faziam simulações de centenas de preços de passagens, afirmou o gerente de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov. Com os robôs, o número de consultas passou para milhares, em poucos minutos.

O projeto deu tão certo, que um terceiro robô, que coleta preços de hotéis, está em fase de testes. O IBGE também estuda aplicar a técnica a outros produtos, como materiais de higiene e livros.

INOVAÇÃO DO PAPEL AOS ROBÔS

Nos 40 anos de IPCA, a coleta dos preços sempre acompanhou os avanços tecnológicos. O indicador, criado em 1980, um ano depois do INPC, surgiu inovando e influenciou outras pesquisas do IBGE.

A coleta de dados seguiu avançando e, do papel, migrou para o Personal Digital Assistant (PDA), um computador de mão com caneta touch, implantado em 2007.

“Embora a estrutura do questionário em papel fosse um avanço, ele não permitia a crítica dos preços na hora, ou seja, a revisão automática das informações a fim de evitar valores estranhos ou errados preenchidos no questionário. Se algum valor fosse preenchido no questionário, o PDA automaticamente questionava o pesquisador se aquele dado estava correto”, contou Kislanov.

A agilidade na transmissão dos dados foi outro avanço do equipamento. “Na época do papel, era necessário digitar os dados coletados no computador. Levava semanas, meses para registrar todas as informações coletadas em campo. Com o PDA, bastava conectar o aparelho ao computador e as informações eram sincronizadas no sistema. A atualização dos itens do questionário no PDA também era feita em poucos minutos”, disse o gerente de Índices de Preços.

Em 2018, o IBGE sofisticou ainda mais a ferramenta de coleta ao desenvolver o DMC (Dispositivo Móvel de Coleta), um smartphone com um aplicativo do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC).

“Recentemente, incluímos o georreferenciamento da coleta. O DMC registra as coordenadas do local e cruza com as informações do nosso cadastro de endereços. Isso confirma se o entrevistador efetivamente coletou as informações no local correto.”, contou ele.

Para o futuro, além dos robôs que começaram a ser usados este ano, a Coordenação de Índices de Preços do IBGE vislumbra coletar preços por notas fiscais eletrônicas e códigos de barras (Fonte e poto: Agência de Notícias IBGE)

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